PF deflagra a operação Ratatouille no Rio

Postado Junho 01, 2017

O homem já teria sido preso e deverá ser indiciado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A operação foi batizada de "Ratatouille" e é mais um desdobramento da operação Lava Jato no estado. As empresas receberam cerca de R$ 7 bilhões do estado do RJ entre os 2011 e 2017, tendo vários contratos de fornecimento.

A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal.

O empresário pagou pelo menos R$ 12,5 milhões em propina para a organização criminosa liderada por Cabral para ganhar contratos no estado.

O G1 entrou em contato com as empresas Masan e Milano às 7h01, mas até 11h54, não obtivemos uma resposta da empresa. Mas só agora, seis meses depois da apreensão das anotações de Luiz Carlos Bezerra, operador do esquema, os investigadores descobriram a identidade escondida pelo codinome:"Loucco, de acordo com Bezerra, é Marco Antônio de Luca, o cabeça de um clã de fornecedores de alimentos e serviços ao governo fluminense".

Marco de Luca é um dos integrantes do grupo que colocou guardanapos na cabeça na foto que registrou o momento, onde aparece ao lado de Cabral. Nos últimos dez anos, as duas empresas tiveram contratos superiores a R$ 700 milhões com o governo do Rio de Janeiro. Elas forneciam também alimentação para hospitais públicos do estado e para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) durante os Jogos Olímpicos do ano passado. Ao todo, a PF cumpre um mandado de prisão preventiva e 9 mandados de busca e apreensão. Porém, os investigadores só descobriram quem era "Loucco" e os outros donos de codinomes da lista, como "Sony", "Fiel" e "Tia", depois que Bezerra, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara da Justiça Federal Criminal, no último dia 4 de maio, os identificou.

Ratatouille, segundo a PF, remete a um prato típico da culinária francesa em referência a um jantar em restaurante de alto padrão em Paris, o La Tour d'Argent, em 2009, no qual estavam presentes diversas autoridades públicas do Rio de Janeiro e empresários que possuíam negócios com o Estado. Com o apelido "Louco", é atribuído a ele nesses papéis o repasse de R$ 3,7 milhões entre agosto de 2014 e novembro de 2016.