Filho do rei saudita é designado príncipe herdeiro aos 31 anos

Postado Junho 22, 2017

O rei Salman, da Arábia Saudita, transformou seu filho em seu sucessor nesta quarta-feira, afastando seu sobrinho da posição de príncipe herdeiro e dando ao jovem de 31 anos poderes quase inéditos no momento em que o maior exportador de petróleo do mundo implanta reformas transformadoras. De acordo com um decreto presidencial, o antigo príncipe herdeiro vai deixar por completo todos os cargos e ser 'trocado' por Mohammed bin Salman, que assume o posto mas mantém pastas da Defesa e o Petróleo.

O príncipe de 31 anos vai substituir Mohamed bin Nayef bin Abdulaziz Al Saud, o seu primo, que desempenhava funções enquanto vice-primeiro-ministro e ministro do Interior do país.

Uma fonte do governo saudita disse que o destituído príncipe herdeiro elogiou a nomeação de seu sucessor em uma carta enviada ao monarca.

Como parte das mudanças, Mohammed bin Nayef, que era até então o príncipe herdeiro, perderá todas as suas posições no governo, entre elas a de ministro do Interior, informou a agência estatal Mohammed bin Nayef, de 57 anos, é sobrinho do rei Salman.

Há quem defenda que a nomeação de Mohammed como príncipe herdeiro pode ser motivadora para as gerações mais novas, mas muitos consideram-no demasiado ambicioso e inexperiente e receiam que possa ser uma ameaça, numa altura em que o país continua a liderar uma campanha no Iémen contra os rebeldes xiitas e que o Médio Oriente está em clima de tensão com o Qatar e o Irão.

"Vou descansar agora. Que Deus te ajude", afirmou o príncipe Mohamed Bin Nayef.

O soberano saudita convidou os integrantes da família real e diversas autoridades para uma reunião nesta quarta-feira à noite no palácio de Meca, oeste do país, para jurar lealdade ao novo príncipe herdeiro.

A emenda, no entanto, impõe ao futuro rei que não nomeie um de seus filhos como herdeiro ao trono, em uma aparente tentativa de satisfazer os diferentes clãs Al Saud.

Na qualidade de ministro da Defesa, Mohamed já supervisiona a participação saudita na guerra do Iêmen, estagnada mais de dois anos depois da intervenção da coalizão militar árabe liderada por Riad.

A notícia surpreendente coincide com uma crise política na região do Golfo Pérsico, que coloca a Arábia Saudita e seus aliados contra o Catar.