Caso André Ventura: candidato defende-se

Postado Julho 17, 2017

Loures, Lisboa, 17 jul (Lusa) - O candidato do PSD/CDS-PP/PPM à Câmara Municipal de Loures, André Ventura, rejeitou hoje ter tido qualquer intenção xenófoba ao falar publicamente da comunidade cigana, sublinhando que apenas criticou situações de incumprimento da lei. No seio do CDS já há quem torça pela sua derrota.

Fabian Figueiredo denuncia à PGR que as declarações do candidato do PSD e CDS constitui uma "prática dolosa, friamente calculada, para incitar o ódio contra as pessoas de etnia cigana, algo absolutamente inaceitável num Estado de Direito Democrático e que, como não poderia deixar de ser, constitui crime no ordenamento jurídico português". "Boa parte das pessoas que fica muito incomodada quando são denunciadas estas situações nunca se deslocou a algumas dessas zonas e não tem ideia do 'barril de pólvora' que lá se vive diariamente", refere o candidato em comunicado. "Os contratos locais de segurança foram completamente abandonados, quer pelo governo PSD, quer pelo executivo camarário", acusa. "Se perder, tudo bem: que nem mais um dia o meu partido fique associado a tão lamentável personagem", escreve o centrista.

Também o advogado Francisco Mendes da Silva, membro da Comissão Política Nacional dos democratas-cristãos, sugeriu no Facebook que haja uma rutura com a coligação, explicando que "não há praticamente nada" que o candidato diga que ele "não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo que tanto pode ser gratuito, telegénico ou eleitoralista".

"Passos Coelho ainda vai a tempo de impedir que este possa ser o discurso do PSD numa autarquia" e que se não o fizer, "será conivente com o candidato e o PSD descerá um enorme degrau na sua degradação moral", alerta.

Para Francisco Seixas da Costa, ex-embaixador e ex-governante do PS, o PSD deve "pôr os pontos nos is" neste caso. Na queixa - também enviada para a Ordem dos Advogados e à qual o Observador teve acesso - o candidato do Bloco a Loures, Fabian Figueiredo, denuncia que o candidato da coligação de direita "incita explicitamente à discriminação contra a comunidade cigana, quando diz que as pessoas desta etnia 'vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado'". Ventura referiu que a "etnia cigana tem de interiorizar o Estado de direito porque, para eles, as regras não são para lhes serem aplicadas".

Nesse dia, em declarações à Lusa, André Ventura referiu que tinha direito a ter a sua opinião e lamentou que em Portugal "o limite da liberdade de expressão seja sempre ultrapassado quando se passa o politicamente correto".

"É um problema de igualdade", diz ainda André Ventura, concluindo que "temos de ser todos tratados como iguais".