Janot nega ter pressa para apresentar nova ação contra Temer

Postado Julho 17, 2017

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai aos Estados Unidos na próxima semana, em missão oficial, para apresentar a experiência do Brasil no combate à corrupção.

Na segunda-feira, 17, a partir das 9 horas, Janot vai falar no Woodrow Wilson Center sobre o uso dos acordos de colaboração premiada na promoção de justiça e do Estado de Direito no Brasil. Ele também afirmou que uma possível rejeição da denúncia de corrupção passiva contra Temer pelo plenário da Câmara seria encarada por ele com "naturalidade". Ele também destacou que firmaria novamente o acordo que livrou os donos da JBS da cadeia em troca da delação premiada "sem o menor drama de consciência". E envolviam altíssimas autoridades da República. Janot deixa a procuradoria em setembro.

Janot ainda disse que achou que a delação e Joesley contra Temer era uma "mentira", até que o empresário entregou as gravações de conversas.

Joesley Batista foi um dos mais beneficiados com a delação. O procurador-geral ressaltou que os colaboradores denunciavam um presidente da República, um senador que tinha recebido 50 milhões de votos como candidato à Presidência [o tucano Aécio Neves] e "um colega meu recebendo dinheiro, infiltrado [o procurador eleitoral Ângelo Goulart Villela]".

Além disso, os colaboradores concordaram em participar de ações controladas, ainda sem a garantia do acordo, para conseguir mais provas. "Eles se grampearam com áudio e vídeo e foram efetuar pagamentos de propina a essas pessoas que cometeram crime". Na ocasião, Batista conta sobre a "compra" de um procurador, com o objetivo de barrar as investigações da Lava Jato, além de confessar o pagamento de mesada milionária ao ex-deputado Eduardo Cunha, com o propósito de mantê-lo calado.

"Eu sopesei o interesse público e concluí: eu viu conceder a imunidade".

A proposta do presidente, desde a aprovação e nomeação da procuradora Raquel Dodge para a PGR, na semana passada, é disseminar e fortalecer o discurso de que o atual chefe do Ministério Público Federal (MPF) protagoniza uma perseguição política contra Michel Temer. Na quarta-feira, é a vez do ministro da Justiça, Torquato Jardim.