Bebé Charlie Gard vai ser transferido para morrer num hospício

Postado Julho 28, 2017

- A menos que, até as 12h de amanhã, os pais e o guardião e o hospital consigam combinar um arranjo alternativo, Charlie será transferido a uma residência hospitalar e desentubado pouco depois. As máquinas que mantêm o bebezinho vivo serão desligadas em seguida.

Charlie sofre de uma condição genética extremamente rara que causa o enfraquecimento progressivo de seus músculos e danos cerebrais. Não respira sozinho, não consegue abrir os olhos, não ouve nem mexe os braços e as pernas.

Recentemente voltou a surgir a hipótese de administrar um tratamento inovador, que poderia ajudar Charlie a recuperar algumas funções, mas os pais desistiram da ideia quando perceberam que o seu estado de saúde já tinha deteriorado a tal ponto que não haveria possibilidade de sucesso.

O "último desejo" de Connie Yates e Chris Gard - para que seu filho pudesse morrer em casa - não pode ser atendido visto a impossibilidade de se encontrar um respirador artificial e uma equipe de médicos especializados que pudesse assisti-lo em casa. O hospital negou, porém, dizendo que não seria possível devido à complexidade dos tratamentos necessários. Outra hipótese avançada pelos pais seria levar o bebé para um hospício onde os tratamentos pudessem ser administrados durante alguns dias.

O bebê britânico Charlie Gard vai passar as últimas horas de vida em uma residência hospitalar especializada em cuidados paliativos, antes que um aparelho de ventilação que o mantém vivo seja desligado, decidiu um juiz nesta quinta-feira, após uma batalha judicial que gerou um debate sobre quem tem autoridade sobre o destino de uma criança doente.

As notícias sobre a decisão do juiz não indicam nem dia nem hora para a transferência de Charlie.

A porta-voz do Great Ormond Street disse que o hospital "tentou fazer todos os possíveis para acomodar a vontade dos pais" e lamenta profundamente "que as diferenças sinceras de opinião entre os médicos e os pais de Charlie tenham tido que ser resolvidos em tribunal durante tanto tempo".