Catarina Martins contraria António Costa: era possível "ter ido mais longe"

Postado Setembro 20, 2017

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse nesta terça-feira não perceber o porquê de o secretário-geral comunista ter tomado as dores dos "autarcas que se calaram perante as maldades da troika", rejeitando atacar o PCP, com quem tem caminhos convergentes.

No capítulo da história "As autarquias foram cúmplices no silêncio em relação à destruição de serviços públicos", Jerónimo de Sousa conta a fábula da raposa e das uvas.

"Eu critiquei autarcas que se calaram perante as maldades da troika".

A solução de governo parece ter acabado com muitos ódios históricos - aquele antigo entre socialistas e comunistas, por exemplo - mas não conseguiu rebentar com um mal-estar que tem 18 anos, o tempo de vida Bloco de Esquerda, que nasceu com dissidentes do PCP e que desde o primeiro dia foi atacado pelo velho partido.

"Os próprios dados da economia e da execução orçamental do ano passado mostram que podíamos ter ido mais longe", defendeu Catarina Martins, citada pela Lusa, acrescentando que "ficou a faltar investimento em tanta coisa e, de facto, gastámos menos do que poderíamos ter gasto nos setores essenciais e as contas da execução orçamental mostram-no". "Nós temos outros adversários e temos também caminhos convergentes para fazer juntos", respondeu Catarina Martins aos jornalistas, no final do comício desta noite da campanha autárquica em Gondomar, no distrito do Porto.

A líder do BE recordou a época em que o poder local se implantou, o que deu origem à "alternância e rotativismo que tem existido nas forças políticas", considerando que "por razões próprias da sua fórmula" este é um poder "demasiadamente presidencialista" e "às vezes, também, clientelar, pouco transparente".

Sem esconder as "divergências que são conhecidas", Catarina Martins prefere focar-se na necessidade de um "trabalho convergente sobre aquilo que é essencial".

"Fico absolutamente chocada com o silêncio das autarquias durante anos e anos enquanto as suas populações viam ser degradados os serviços que lhes dão apoio (.) Esse silêncio foi um silêncio cúmplice da destruição dos serviços públicos e é também para mudar este estado de coisas que o Bloco de Esquerda se apresenta às eleições autárquicas, disse Catarina Martins, num comício da Marinha Grande".