Grupos Fatah e Hamas anunciam reconciliação após 10 anos

Postado Outubro 12, 2017

Alguns observadores suspeitam que o Hamas, o movimento radical islamista que controla Gaza, quer apenas ver-se poupado às sanções do governo da Fatah na Cisjordânia.

"As conversas se concentraram em impulsionar o governo de consenso nacional para que trabalhe com todas as suas competências tanto na Cisjordânia (governada pelo Fatah) como em Gaza (controlada pelo Hamas)", assegurou Arouri, após três dias de conversas entre ambas as partes na sede dos Serviços de Inteligência do Egito.

O governo da unidade nacional deve assumir as funções até 1º dezembro de 2017, acrescenta.

Tal como era já antecipado desde que a reaproximação se tornou pública, o acordo prevê a entrega da gestão administrativa de Gaza ao governo de unidade palestiniano - estabelecido em 2014, mas que nunca chegou a ter poder real.

O conflito prolongado entre Fatah - partido político dominante da Palestina - e a organização fundamentalista Hamas levou à separação das autoridades da Palestina, além disso, Hamas tomou sob controle a região da Faixa de Gaza. Desde então, diversos esforços de reconciliação fracassaram.

Em setembro, o Hamas concordou em ceder o poder sobre Gaza à ANP, ainda que o destino de suas forças militares no território tenha sido um obstáculo para as negociações. Em junho é constituído um governo de unidade, composto por tecnocratas apoiados pelos dois partidos.

A Fatah anunciou que Mahmud Abbas se deslocará nas próximas semanas a Gaza, pela primeira vez em 10 anos.

Em 2007, uma violenta batalha entre Hamas e Fatah deixou mais de 600 mortos em Gaza e resultou na expulsão de ativistas e autoridades do Fatah do território.

Em resposta à chegada ao poder do Hamas, Israel reforça o bloqueio à faixa de Gaza.

"Vamos implementar toda a nossa força na questão da reconciliação para que seja a pedra fundamental e um ponto de partida para que lutemos juntos frente à entidade sionista [Israel]", afirmou Saleh al-Arouri, chefe da delegação do Hamas ao Cairo.

A Autoridade Palestina reduz, em represália, os pagamentos para o fornecimento de energia elétrica ao moradores Gaza, bem como os salários dos funcionários da Faixa.

O Fatah afirma que o local deverá supervisionado pela Agência Europeia de Fronteiras (Eubam). Para que isso ocorra, a decisão deverá ser tomada em conjunto pela ANP e pelo governo de Israel.

Os dois grupos rivais esperam que o acordo faça com que Israel e Egito removam as restrições na fronteira. Abre-se um "novo capítulo na História palestiniana", lançava um porta-voz do Hamas, Salah al-Bardawil, nada dizendo, como o acordo, sobre o futuro dos cerca de 25 mil militantes armados do grupo.

"Qualquer reconciliação entre a Autoridade Palestiniana e o Hamas deve incluir um compromisso de respeito pelos acordos internacionais e pelas condições do Quarteto (para o Médio Oriente), a começar pelo reconhecimento de Israel e pela desmilitarização do Hamas", referiu o responsável, na primeira reação israelita à assinatura de um acordo de reconciliação entre movimentos rivais palestinianos.