Mulheres vão às ruas de Campos em protesto contra PEC 181

Postado Novembro 14, 2017

Os eventos no Facebook lembram que 18 homens votaram a favor da criminalização do aborto até em casos de estupro e risco de vida para a mulher, por isso o nome do protesto "Todas Contra 18". Pelo menos 30 municípios brasileiros tinham manifestações marcadas para esta tarde.

O projeto de lei, cujo objetivo inicial é alargar a licença maternidade das mães de bebês prematuros, é considerado um "cavalo de Troia" pelas militantes porque o texto indica que o direito à vida é "inviolável desde a concepção".

Em São Paulo, cerca de quinhentas militantes feministas protestam na Avenida Paulista, região central da capital. Desde então, diversas personalidades se manifestaram em apoio ao ato Todas contra 18, previsto para ocorrer nesta segunda-feira (13), em diversas cidades do país.

Em alguns trechos, manifestantes pichavam palavras de ordem contra o governo e contra casos de feminicídio. Ao fim do ato, marcaram uma nova manifestação para o próximo sábado (18), com saída da Praça Santos Andrade a partir das 13h. "É nossa escolha! É pela vida das mulheres!", Mariana Rosa carregava Joaquim, de 5 meses, nos braços. Há confusões de dogmas religiosos com o legislativo. "A gente está aqui fortalecendo essa luta porque essa PEC está praticamente permitindo uma segunda violência contra e mulher, que é tornar o aborto ilegal até mesmo em caso de estupro", diz. É a perda de um direito - disse.

Após o placar de 18 x 1 na comissão especial formada para analisar o caso, a proposta voltará a ser discutida na Câmara no dia 21 de novembro, quando os deputados devem concluir a análise de 11 sugestões de alteração ao texto principal. A servidora pública Lídia dos Santos, 31 anos, explica que, se a PEC for aprovada, poderá gerar uma brecha jurídica que pode questionar os casos de aborto que já são permitidos atualmente. Lá, para ser aprovada, precisa de pelo menos 308 votos entre 513 deputados, em dois turnos de votação.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu que o projeto seja reformulado, garantindo nas redes sociais que a proibição do aborto em casos de estupro "não vai passar".