Anel foi abatido em propina, diz Cavendish

Postado Dezembro 07, 2017

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho (PMDB) disse que o anel de cerca de R$ 800 mil (€ 220 mil) comprado pelo empresário da Delta, Fernando Cavendish, para a então primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo, em Nice, na França, "foi um presente de puxa-saco", dado para agradá-lo. Ele negou ter participado de esquemas para direcionamento de licitações e afirmou não ter recebido qualquer tipo de propina relacionada à reforma do estádio do Maracanã e às obras do PAC das Favelas e do Arco Metropolitano. Segundo o perito em predras preciosas José Ricardo Bandeira, pedir que alguém pague uma jóia é mais suave do que dar dinheiro de propina, por isso, esse é um método muito comum em casos de corrupção. Cabral também declarou que o empresário mentiu no depoimento da segunda-feira ao dizer que o objeto foi um "anel de compromisso" com o ex-governador. Um empreiteiro encalacrado, um réu, que lavou mais de R$ 300 milhões.

A existência do presente foi divulgada em outubro do ano passado, quando Cavendish negociava uma delação premiada, ainda não firmada.

O ex-governador também afirmou que Fernando Cavendish, ex-proprietário da Delta Engenharia, não retratou a realidade ao afirmar que o anel de diamantes com o qual presenteou Adriana Ancelmo - mulher de Cabral - foi um pagamento de propina e não um presente.

"Ele me disse que estava presenteando a esposa e gostaria que eu pagasse". De acordo com informações da TV Globo, Cabral afirmou também que não era responsável pela escolha das empresas. Posteriormente, o valor da joia também teria sido abatido pela construtora no cálculo de uma propina de 5% cobrada sobre o faturamento com a reforma do estádio. "Era um hábito dessa turma", disse. O diretor da Odebrecht Infraestrutura, Marcos Vidigal, explicou como a licitação do Maracanã teria sido direcionada.

Cabral chegou à Justiça Federal, no início da tarde, trazendo nas mãos o livro "Nelson Mandela - Conversas que tive comigo", obra biográfica que reúne diários, cartas e anotações pessoais, entre outros documentos sobre a vida do líder sul-africano, cujo prefácio é escrito pelo ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Ele negou ter participado da suposta formação de cartel nos dois casos.