Portugal emite quatro mil milhões em dívida a 10 anos

Postado Janeiro 12, 2018

De acordo com a informação disponível na agência financeira Bloomberg, a procura alcançou os 17,2 mil milhões de euros, pelo que a taxa se fixou nos 2,05% (na emissão de OT a 10 anos de novembro do ano passado a taxa tinha sido de 1,939%).

"Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo", comentou Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, em nota difundida pelas redações. "Portugal é dos países com um risco não muito elevado que pagam melhor a quem nos empresta dinheiro". "A comparação com a anterior emissão 10 anos serve de referência, mas não totalmente, porque a dívida emitida hoje vence-se em outubro de 2028, ou seja, daqui a 10 anos e 10 meses. Daí a procura ter sido muito superior à oferta", comentou o especialista.

Silva salientou que há poucos anos Portugal só conseguia emitir com taxas de 4% ou 5%, enquanto nas últimas emissões, o Tesouro tem conseguido taxas abaixo de 3% ou mesmo 2%.

"Esta manhã, o spread começou nos 120 pontos base, mas veio a descer até aos 114, o que se traduz num spread de 1,14%". Atualmente a taxa de juro implícita na dívida portuguesa a 10 anos está a negociar em torno de 1,90%, sendo habitual neste tipo de operações haver um prémio.

O sindicato bancário que o IGCP mandatou para realizar a operação é formado pelo Novo Banco, Barclays, Citi, Crédit Agricole, Goldman Sachs e JP Morgan.

O montante garante já 27% do programa de financiamento previsto para todo o ano em emissão de dívida obrigacionista, que se deverá situar em €15 mil milhões anunciados esta semana pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

O IGCP diz que vai focar-se na emissão de OT numa estratégia que visa "promover a liquidez e um funcionamento eficiente dos mercados primário e secundário", mas sem adiantar qualquer calendarização para estas emissões, mas admite que serão operações regulares. Quanto aos Bilhetes do Tesouro, títulos de dívida com maturidades até dois anos, o IGCP prevê que o financiamento líquido resultante destas emissões tenha impacto nulo. Quanto ao retalho, "na estratégia de financiamento para 2018 o IGCP também antecipa uma contribuição positiva de 1,8 mil milhões de euros" destes produtos direcionados para as famílias.