Inflação fecha 2017 em 2,95%, abaixo do limite da meta

Postado Janeiro 13, 2018

"Nossa visão não é que houve atraso, mas aquilo é que permitiu a inflação ficar baixa", disse Goldfajn em entrevista coletiva para explicar por que a inflação oficial em 2017 ficou abaixo do piso da meta.

Os dados foram divulgados hoje (10), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam que, em dezembro, o IPCA fechou em 0,44%, ficando 0,16 ponto percentual acima do resultado de novembro (0,28%).

A inflação de 0,44% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em dezembro foi a mais elevada registrada ao longo do ano de 2017. É a primeira vez que isso acontece desde que o regime de metas foi implantado no país, em 1999. Juntos, com impacto de 0,18 p.p., estes dois itens representaram 41% do IPCA de dezembro.

Com o resultado, a variação de preços percebida pela terceira idade ficou acima da taxa de 3,23% acumulada em 2017 pelo Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que apura a inflação média percebida pelas famílias com renda mensal entre um e 33 salários mínimos.

A inflação sentida pela população idosa acelerou de uma alta de 0,68% no terceiro trimestre para um avanço de 1,18% no quarto trimestre do ano passado, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira, 10. Para Goldfajn, a autoridade monetária não cortou mais os juros para compensar a queda nos preços dos alimentos porque não cabe a ela reagir a eventos externos. Atualmente, a Selic está em 7% ao ano, no menor nível da história. Ele ressaltou que o Relatório de Inflação do BC, divulgado a cada três meses, estima que a inflação fechará 2018 e 2019 em 4,2%.

Segundo o presidente do BC, excluindo alimentação no domicílio, a inflação passaria a 4,54%, valor muito próximo à meta. Com isso, o Banco Central terá de enviar uma carta ao Ministério da Fazenda explicando os motivos de a inflação não ter ficado no intervalo de tolerância entre 3% e 6% do centro da meta, de 4,5%.

Sobre a possibilidade de a inflação subir por causa de uma alta do dólar motivada pelas tensões eleitorais, Goldfajn afirmou que o BC está preparado para agir por meio da venda de divisas no mercado futuro, em operações conhecidas como swaps cambiais, para segurar a cotação no caso de turbulências no mercado financeiro. Em 2015, a inflação acumulada do indicador do IBGE foi de 10,67%.