Delator da Lava Jato é preso em ação contra lavagem e tráfico

Postado Mai 16, 2018

RIO - (Atualizada às 9h20) A Polícia Federal (PF) prendeu oito pessoas investigadas por lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas durante a deflagração da "Operação Dominó". Também conhecido como o "embaixador do tráfico", Cabeça Branca é apontado pela PF como o maior narcotraficante do Brasil e um dos maiores do mundo.

De acordo com artigo publicado na Fórum, em 2016, por Helena Sthephanowitz, há no caso um buraco mal explicado, ou seja, saber "porque alguns investigados só saem da cadeia em Curitiba quando delatam qualquer coisa, quase sempre com efeitos políticos que atingem a atual base governista federal (na época o governo Dilma), enquanto outros que tinham informações que atingem a oposição tucana foram mandados para casa em silêncio, ganhando benefícios como redução de multas, suspensão e extinção de penas?".

Conforme a Polícia Federal, foi possível identificar uma complexa e organizada estrutura durante as investigações destinada à lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de entorpecentes. Segundo a PF, a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal serão comunicados sobre a prisão do réu colaborador para avaliação quanto a quebra do acordo firmado. A PF informou que avisará a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal para que avaliem a rescisão do acordo de delação premiada. Ceará mencionou em delação políticos como o senador e presidenciável Fernando Collor de Mello, do PTC, senador Aécio Neves, do PSDB, e senador Renan Calheiros, do MDB. Ele foi preso preventivamente e no âmbito da Lava Jato atuava com Alberto Youssef.

- Ele diz na colaboração que o Youssef tinha interesse nele porque ele tinha disponibilidade de dinheiro em espécie por causa de negócios com vinhos. A Operação Efeito Dominó cumpriu ainda dois mandados de busca e apreensão, um na capital e outro em Cabedelo.

Outro dos principais doleiros alvos da operação é Edmundo Gurgel, que já havia sido preso na Farol da Colina, em 2004. Os outros presos desta manhã faziam o papel de "maleiro" para os operadores ou de "laranja" para Cabeça Branca. Há 18 de busca e apreensão, cinco de prisão preventiva e três de prisão temporária. Os mandados foram efetivados nos estados de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e São Paulo.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. "Há indícios de um vínculo muito claro do dinheiro do narcotráfico, em espécie, indo parar nas mãos de políticos", afirmou o delegado.

"O criminoso que vai receber propina não vai perguntar 'Isso é do tráfico de drogas?'".