MRE pede aos EUA liberação de documentos da CIA sobre a ditadura

Postado Mai 17, 2018

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, instruiu a embaixada brasileira em Washington, nos EUA, a solicitar a liberação completa dos registros sobre esse tema.

A carta foi enviada ao ministro após a revelação de um memorando da CIA, segundo o qual o general Ernesto Geisel, presidente do Brasil entre 1974 e 1979, sabia e autorizou execução de opositores durante a ditadura militar. Apenas em 2014 o atestado de óbito de Vladimir foi alterado, com a causa da morte deixando de ser suicídio.

A carta é assinada por Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, morto durante a ditadura.

O documento, liberado agora pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, ainda afirma que Geisel teria orientado o então chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações) que viria a substituí-lo na Presidência, João Baptista Figueiredo, a autorizar pessoalmente os assassinatos. Os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Avelino, segundo o informe, também tinham conhecimento sobre a política de execução.

Na ocasião, o Centro de Informações do Exército recebeu autorização de Geisel para manter o método, mas restringido aos "casos excepcionais", que envolvessem "subversivos perigosos".

A investigação da CIA aponta que o ex-presidente Ernesto Geisel, do período da ditadura, sabia e concordou com a política de execuções sumárias contra "inimigos" da ditadura militar no Brasil.

São Paulo, 11 de maio de 2018. Além disso, pode haver mortes e desaparecimentos durante esse período da ditadura que não foram registrados.

O documento da CIA revelado esta semana, mostrando o envolvimento do ex-presidente Geisel e a cúpula do regime militar com os crimes cometidos nos porões da ditadura fez ressurgir o movimento pela revisão da lei que anistiou também os torturadores e assassinos que agiram dentro do aparelho de Estado. Tais fatos foram expostos como fruto de pesquisas em materiais de arquivos preservados pelo Governo dos Estados Unidos da América.

"A família Herzog vem a Vossa Senhoria solicitar manifestação do Ministério das Relações Exteriores solicitando ao governo norte-americano a liberação completa dos registros realizados pela Agência Central de Inteligência [CIA] que documentam a participação de agentes do Estado brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros", diz a carta, endereçada ao chanceler Aloysio Nunes. Uma nação precisa conhecer sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam.